Entretenimento, Entrevista

Banda Gragoatá lança álbum e conta tudo pra gente

No dia 5 de maio a banda niteroiense Gragoatá lançou seu álbum homônimo de estreia e é claro que eu não podia deixar de conversar com essa galera mega amorzinho sobre os detalhes do disco e tudo o que perpassa o dia-a-dia deles, as curiosidades e sonhos que esse trio lindo pode nos contar.

Gragoatá / Foto: Bárbara Medeiros

Rebeca Sauwen (voz), Renato Côrtes (violão/guitarra) e Fanner Horta (violão/ukulelê) são os artistas que compõem a banda que surgiu em 2014 dentro do Campus Gragoatá da UFF. Segundo as palavras de Rebeca “Eu e Renato nos encontramos, fizemos música e resolvemos lançar uma bela banda chamada Gragoatá, no Gragoatá.”

Renato Côrtes: A gente se encontrava no intervalo das aulas do curso de Letras que Rebeca e eu fazíamos juntos na época (hoje Rebeca cursa Estudos de Mídia ainda na UFF) pra fazer um som na orla do Campus. Eu já conhecia a Rebeca há anos e a gente já conversava sobre fazer algo juntos, a partir de 2014 as coisas começaram a acontecer. Há muito tempo eu já corria atrás.

Para você realizar alguma coisa, você tem que sonhar primeiro o que fazer, depois realiza e por fim celebra. (Renato Côrtes)

Perguntei como havia sido a entrada de Fanner na banda, já que Renato e Rebeca se conheciam há alguns anos e tocaram juntos em outras oportunidades. Essas histórias são sempre muito interessantes.

Fanner Horta: O Renato tem essa qualidade que talvez seja o pior defeito dele, ele ficava meio que caçando gente assim. Se ele conhecia alguém da música ele já ficava ‘po, vamo fazer uma parada, vamo tocar alguma coisa’. (risos)

Renato: Então a gente estava na Cantareira numa terça-feira às 3 da manhã ‘muito animados’ e eu falei: ‘Koé Fanner, vamo entrar na Gragoatá!” – ele já tinha visto uns vídeos que a gente tinha gravado –  aí ele disse ‘eu quero!’ então beleza, tá fechado. No dia seguinte ele me ligou meio confuso falando ‘po cara, aquilo de ontem foi sério?’ e eu falei que era super sério, que queria muito ele na banda. Mas tenho que deixar registrado aqui uma verdade, eu só chamei ele porque ele tinha carro e carteira (muitos risos). Mas aí uma semana depois ele perdeu a carteira e a gente tá até agora aturando ele três anos sem carro (mais risos).

Explore Niterói: O nome da banda já existia antes disso tudo?

Renato: A gente começou como Gragoatá Café, porque a gente tomava café e fazia um som aqui na orla do Gragoatá. (Rebeca Sauwen: Menos eu que só comecei esse ano que entrei na vida adulta mesmo [risos].) Depois a gente resolveu tirar o café porque as pessoas confundiam achando que a gente tocava num café dentro do Campus do Gragoatá. Aí uma semana depois do nosso primeiro vídeo no YouTube a gente ficou só como Gragoatá mesmo.

Gragoatá – por Mateus Pereira

Explore Niterói: Como é o diálogo de vocês com Niterói? Como é essa relação da cidade com as músicas de vocês?

Fanner: Isso é interessante, porque eu já ouvi de outras pessoas fora da cidade que até a maneira como a gente interpreta e como Rebeca canta as músicas são paradas muito características daqui de Niterói. Tenho um amigo de São Paulo, por exemplo, que percebeu exatamente isso, é impossível não saber de onde vocês são, até pelo modo como falam as frases, a leveza das canções. E isso é total influência da cidade.

Renato: Fanner tem muita influência do samba, ultimamente a gente tem feito muito sambinha, então é todo fim de semana tocando com a galera de Niterói. Às vezes você para numa roda com um pessoal que nem é de samba, mas que acaba influenciando muito.

Rebeca: As nossas reuniões são e foram sempre musicais, a gente cresceu fazendo isso e foi maravilhoso para a construção da identidade da banda também.

Explore: A Gragoatá sempre se preocupou em produzir músicas autorais, como foi esse processo?

Renato: A primeira coisa que eu falo que sou é compositor, não é músico, instrumentista, empresário como banda independente, nem nada. Sou compositor. Então é isso que eu tinha que colocar pra frente, inclusive por conta da Rebeca. Porque, pra ela cantar uma coisa que seja original, tem que ser pensado pra voz dela, pro estilo dela. Pra gente era só ganho ter músicas autorais. A gente até toca coisa dos outros, mas o foco sempre foi as nossas.

Rebeca: A gente gosta de tocar de outros artistas para mostrar nossas referências, nossas influências. Se fizer sentido com o que a gente ta falando, é óbvio que a gente vai fazer uma versão. É importante você mostrar a sua identidade, porque não há como crescer de outra forma. Eu acho que isso aconteceu muito natural, as músicas foram se complementando, a gente viu que o CD – mesmo as composições feitas em momentos e lugares diferentes – fazia total sentido, ele tem um rosto, uma identidade.

A gente percebeu que o disco era extremamente aquático. Ele fala por nós três. (Rebeca Sauwen)

CD Gragoatá – Por Mateus Pereira

Fanner: Não foi uma coisa forçada, as coisas foram acontecendo e naturalmente um vai apresentando o que está escutando para o outro e assim todos vão se interessando.

Rebeca: Cada um conseguiu mostrar sua cara e a partir disso a gente conseguiu criar a nossa identidade. Então os vários pedacinhos de cada um de nós se transformou nessa obra.

Explore: Como foi o processo de construção do álbum?

Renato: A gente fez a pré-produção do disco em uma fazenda que, na real, é uma fonte de água lá em Raposo. Aí já começou esse aspecto mais aquático do disco, sem falar que a música que eu mais gosto – e acho que eles também – é “água”. Mas a gente nem se preocupou tanto com isso também, foi tudo muito natural.

Rebeca: Uma coisa que eu percebi também no disco é que começa com “água” (primeira música do CD) e no final dela as vozes estão bem harmoniosas, bem juntinhas e certinhas. Ao longo do disco eu percebi que ele vai transformando as coisas; todas as músicas meio que estão em transformação. E no fim é a música “serei a” então é como se você estivesse se transformado. As próprias vozes no final de “serei a” estão todas dispersas, então é como se estivesse chacoalhado tudo e modificado, criado uma outra coisa. Esse é o sentido do disco pra mim.

Rebeca: O primeiro disco sempre tem aquela responsabilidade de você se apresentar né? Mostrar quem você é. Eu percebo que, de certa forma, a gente conseguiu abarcar toda essa pluralidade da banda, todos os aspectos que todos temos e todas as escolas diferentes dos três. A gente conseguiu colocar um pedacinho de cada um ali e ainda conseguiu mostrar essa identidade do disco.

Fanner: Quando a gente juntou como banda, pensamos logo “vamos fazer o disco! Depois a gente vê o que a gente faz”. Acho que agora que conseguimos, estamos muito mais leves por ter sido lançado e estamos nessa gana de “queremos tocar!”

Rebeca: Nesse processo temos que agradecer muito ao pessoal da Barcamundi, o Leon e o Gil (Navarro), o (Pedro) Chabudé, nos ajudaram muito. Eles conseguem compreender também o que a gente pensa. Eles têm um grande poder de absorção e transformação que conseguem deixar uma marca linda também. A sonoridade do trabalho deles é bem similar à nossa, então criou uma sintonia pra além de musical também, nós somos muito amigos. Sem falar que eles participaram ativamente na produção do nosso álbum.

A parceria Barcamundi e Gragoatá já gerou um EP lindo chamado “Revoada” antes do lançamento do CD, inclusive duas músicas “Menina” e “Novembro” estão no álbum da Gragoatá. Confere só aqui no vídeo que junção maravilhosa dessas duas bandas.

Rebeca: A gente tava em casa, o Renan Carriço da Facção Caipira que produziu junto com a gente também. Temos uma faixa que tem a participação deles com a gente. Foi muito lindo ter toda essa galera conosco. Ficamos muito felizes.

Explore: Como foi ver “Café forte” tendo tanta repercussão e ficando entre os virais do Spotify logo na primeira semana?

Rebeca: Passei a tomar café depois que essa música entrou e mudou a minha vida (risos). Fui promover o disco e acabei gostando da coisa, agora eu não vivo sem (mais risos). Mas sobre a música, a gente já apostava um pouco nela, tanto que já estamos preparando um clipe pra ela que inclusive vai ser produzido por um pessoal de cinema aqui da UFF – nossa banda nasceu aqui e vai ser bem legal manter esse vínculo. É como se a parceria durante a faculdade e tudo isso não sumisse, a gente continua trabalhando nisso e vamos gravar esse mês.

Rebeca: Sobre a música, tentamos a partir dela, que foi o nosso single, fazer um link com os vídeos que já tínhamos no YouTube antes e deu certo isso, ficamos felizes do pessoal ter gostado. Queríamos mostrar os dois lados da Gragoatá com esse disco, percebemos que um meio termo bem apresentado era “Café forte”.

Rebeca: O que é legal de “Café forte” também é que a gente quer fazer uma blusa. Inclusive já teve uma arte linda feita pela ilustradora Camila del Aguila. Ela nos contou que ficou viciada no disco por uma semana e fez essa arte. Mandou pra gente e a gente amou.

Arte da Camila del Aguila

Fica aqui também o nosso convite para o show de lançamento do álbum da Gragoatá, dia 05/07, às 21h, no Solar de Botafogo. Para mais detalhes, clique aqui.

É possível encontrar o álbum da Gragoatá nas diversas plataformas:
Spotify: https://open.spotify.com/album/69ZRcwTyqQ9SJfRA3Rjegv
Deezer: http://www.deezer.com/album/40597361
Tidal: https://listen.tidal.com/album/73235807
iTunes: https://itunes.apple.com/br/album/gragoatá/id1229774497
Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=Tc3Ry1OGuvc&list=PLrzr8ul1N3DrZh0tnqOXnZDTuujUo2-17

Ficha Técnica do disco:

Todas as faixas gravadas no Estúdio Villa (Niterói/RJ) por Renan Carriço e no Estúdio Toca da Cotia (Niterói/RJ) por Igor Bilheri entre agosto de 2015 e setembro de 2016.

Álbum mixado por Renan Carriço e Igor Bilheri no Estúdio Toca da Cotia em outubro de 2016.

Masterizada por Felipe Rodarte em outubro de 2016.

Arte: Rodrigo Toscano
Produção musical: Renan Carriço e Gragoatá
Produção executiva: Lilian Kerbel e Gragoatá
Gravadora: Coqueiro Verde
Contato: gragoatabanda@gmail.com

Gragoatá / Foto: Bárbara Medeiros
Gragoatá para além da música

No meio da conversa falamos sobre muitos outros assuntos e um desses papos me tocou particularmente e me deixou muito contente.

Renato: Reconsidere é um projeto que vale a pena a gente falar aqui, porque é um negócio muito lindo que uns amigos nossos da Itaipu estão fazendo repensando a educação. Eles fizeram um financiamento coletivo, a gente até tocou em duas festas pra poder ajudar. Daí duas pessoas desse grupo deram uma volta na América Latina para ver os sistemas de educação que estão sendo implantados.

Fanner: Eu sempre fui muito crítico com os sistemas de educação que existem e que precisam ser mudados e até hoje não foram alterados. Eu dou aula de musicalização também e eu percebo muito isso no meu cotidiano. Daí o pessoal do Reconsidere fez isso e eu achei muito bacana e falamos “vamos sim participar lá do evento e ajudar os caras”. Agora o que foi bacana é que os caras botaram nossa música de trilha no vídeo que eles fizeram. Acho importante também a gente caminhar nesse sentido. Não só no que se refere à música ou outras artes, mas esse tipo de questão é importante pra nós.

A gente tem a possibilidade de diferentes formas de linguagem pra chegar no mesmo propósito. (Rebeca Sauwen)

 

Esse foi nosso papo com a Banda Gragoatá, não percam a chance de escutar esse álbum belíssimo e de deixar aqui sua opinião sobre a entrevista e se tem mais bandas que você gostaria de ver aqui no Explore Niterói.

Author: Mateus Pereira

Prestes a finalizar o curso de Estudos de Mídia na UFF, "Eclético" deveria ser o nome do meio de Mateus. É ator por amor à arte, escuta música em qualquer momento e sabe as regras até de futebol de botão. Se pudesse, iria a todos os eventos pela cidade, afinal, pra que sair de Niterói se já tem tanta coisa boa?

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