Entrevista, Niteroiensis

Entrevistamos a banda Kapitu – parte II

Na última segunda feira, lançamos a primeira parte dessa entrevista exclusiva com a banda Kapitu. Perdeu? Não tem problema, clica aqui agora pra ler e depois volta pra cá porque a segunda parte tá tão maravilhosa – e deliciosa de ler – quanto a primeira.

A união faz a força

Explore Niterói: O que vocês encontram de positivo olhando pra cultura de Niterói depois desses quase 10 anos de Kapitu?

Yuri: Em relação a legado e tal, acho que a gente ta sempre brigando pra representar a classe artística nova que precisa ocupar mais espaços. Eu acho que a ocupação que fizemos no Teatro Municipal no ano passado foi do ca****o! (Para saber mais de como foi esse dia, clica aqui) Quem batalhou para aquilo acontecer foi eu e o Felipe da Bow Bow Cogumelo. A gente que correu atrás do Teatro, correu atrás da Prefeitura, falamos “pô, aconteceu isso com os moleques da Facção (Caipira), a gente precisa fazer um evento para eles”. A gente nem estava pensando no Municipal, mas ele foi dado a nós porque era o único lugar que tinha data e estrutura para fazer um evento como aquele.

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Irlan: O mais incrível disso é que foi uma segunda-feira, que era o único dia que o Teatro não abria e por isso eles conseguiram nos encaixar, e a gente encheu a casa.

Yuri: O maior legado que a gente pode deixar para Niterói é toda essa batalha, são todas as chances que a gente teve de abrir portas e todas as dicas e subsídios que a gente pode dar para as bandas novas da cidade. Querendo ou não nós atingimos um nível de referência que chegam pra gente e perguntam “po, o que você acha disso aqui?”.

Eduardo Matos: Voltando mais no tempo, o lançamento do disco foi no Teatro Popular, foi um dos primeiros shows só de Rock ali. Foi um edital aberto e nós lotamos o Teatro. Temos que ter mais coragem para pegar e ocupar essas coisas que aparecem. Nisso a gente sempre marcou presença, vamos tocar em teatros então. E assim, nós já tocamos em todos os teatros da cidade. Mas o ideal seria que a gente estivesse tocando em uma casa de show, num bar rock, o que seja.

Yuri: Tem ciclos também, vai mudando prefeitura e secretaria e isso também é determinante. Já existiram muitas coisas boas bancadas pelo poder público. Vários shows acontecendo em Niterói ao mesmo tempo. Teve um ano que no palco do réveillon, um dia antes, rolou um festival que só tocou banda de rock. Porque já que o palco estava montado, a única coisa que rolou foi gastar um pouco mais de energia elétrica. Ninguém tava ganhando dinheiro ali mas deram a chance pra molecada toda tocar.

Eduardo: Uma outra parada que foi bem legal e que foi baseada num festival europeu. A Festa da Música em que colocaram palcos pela cidade toda e bandas da cidade tocavam o dia inteiro nas ruas mesmo. Se não me engano rolou por três anos seguidos mas agora já não tem acontecido mais. Tinham todos os estilos, o que era muito rico.

Rock e Realidade

Explore Niterói: Como foi a produção e o lançamento do novo single “Cenas do Cotidiano”?

Yuri: Começamos a trabalhar nele no final do ano passado por conta de tudo que a gente vem vivendo em Niterói, no Rio, no Brasil e no mundo. Claro que a gente é bem específico falando de Brasília, mas a questão da violência nunca esteve tão presente no mundo inteiro. Tem tanta coisa acontecendo e em tantos lugares, a questão política principalmente, e a gente não vai falar nada sobre isso?

A gente tinha lançado o Vermelho (2º disco) em 2015 e estávamos com essa música na mão, e outras para lançar futuramente. Mas “Cenas do cotidiano” foi uma música que falamos “vamos lançar agora!” Percebemos que estava no timing ideal para ser jogado pro mundo. Ficamos um tempo no estúdio trabalhando a pré-produção dela, gravamos em Março e lançamos agora em Junho. Exatamente dois anos depois que a gente gravou o Vermelho.

Rafael: Foi legal por isso também, já que tinha dois anos que não lançávamos nada inédito. Hoje em dia isso é muito tempo. A gente já estava sentindo necessidade, como banda e pessoal, de lançar algo novo. Outro ponto é que desde que saiu o Vermelho a gente não pensou “qual vai ser a próxima coisa que vamos lançar”, daí quando veio “Cenas do cotidiano” parece que juntou tudo.

A gente percebeu que hoje em dia não existe tanto a necessidade de você ter um álbum para contextualizar uma coisa inédita. Nos sentimos muito a vontade para lançar uma coisa isolada e querer trabalhar dessa forma.

Yuri: A forma como a galera está consumindo música, a questão toda do streaming, das playlists, etc. A galera escuta de tudo. Mais uma vez é legal a gente olhar para o pessoal que já está mais bem sucedido no mercado, por exemplo, a Anitta ta lançando single, até Chico Buarque ta lançando single. O cara não lançava um CD tinha uns 10 anos e agora lançou um single. Então nós unimos o útil ao agradável.

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Irlan: A gente não lançou um single só pra lançar um single. Nós lançamos uma música porque sentimos que tinha um sentido de lançarmos só essa música e era muito importante. Acho que nós nunca tínhamos gravado uma música e a lançado tão rápido. Então sentimos a necessidade, a urgência de gravar e lançar logo. Em relação até a uma escala mais global de política e violência, estamos até trabalhando uma outra música que fala mais sobre isso. Mas a nível Brasil ela se encaixou muito bem, até porque parece que a gente ta se acostumando com todas essas notícias e coisas que vivemos, o que é errado.

Yuri: Acredito que a gente esteja num momento mais politizado como a gente nunca esteve e não que o Rock tenha que falar sobre isso, não é uma necessidade, mas outros gêneros talvez não irão falar sobre isso, tirando o Rap, que não tá no mainstream também.

Rafael: É um tema muito forte essa música e a gente quis valorizar isso também com a parte audiovisual do “documentário”. Quis diversificar o material e mostrar pro público um pouco desse processo criativo que poucos conseguem enxergar. O Benito (Corbal – compositor de algumas músicas da Kapitu) até fala no documentário também que ele nunca pegou um tema e falou “eu vou escrever sobre isso e fazer uma música disso”, a letra surgiu naturalmente. Daí quando chegou a letra, tudo fez sentido para nós. Aí o peso do arranjo casou bem, fomos juntando tudo, até porque trabalhamos muito dessa forma.

Vamos falar sobre o futuro

Explore Niterói: O que esperar da Kapitu mais pra frente?

Rafael: Temos um show que foi gravado na Fundição em que vamos lançar o ao vivo de “Cenas do Cotidiano”.

Yuri: Vamos lançá-lo como se fosse um DVD, mas ele foi transmitido ao vivo na primeira página do YouTube enquanto tocávamos lá na Fundição, foi mais um marco pra banda depois de quase 10 anos.

Kapitu na Fundição Progresso Jun 2017 / Foto Vinicius Giffoni

Rafael: Vai ser a primeira gravação, que foi ao vivo, que vamos lançar em uma qualidade maior no nosso canal do Youtube. Já tivemos outras gravações ao vivo que estão lá, como o show do Teatro da UFF, em 2014, mas na época não conseguimos lançar o show inteiro no canal. Até porque a filmagem também não ficou muito do jeito que queríamos e tal, não adianta lançar algo de qualquer jeito.

Então queremos lançar logo esse material, até para aproveitar a resposta que estamos tendo do single que lançamos. Vamos assim manter mais a banda em atividade, pelo menos online, até porque temos feito poucos shows, já que shows mais importantes tem surgido. Nesse sentido, estamos trabalhando em músicas inéditas todo o tempo, a gente sempre foi assim. Já estamos gravando uma música nova, ela já está em produção e tem mais uma aí que tá saindo também, sem falar nesse show que logo logo tá aí prontinho pra galera assistir.

Kapitu / Foto Mateus Pereira

O que podemos esperar é muita novidade desses rapazes e cada vez mais união pra fortalecer a cena independente do rock na cidade. É muito gratificante pra nós ver que eles estão crescendo e carregando uma galera junto, porque é isso que nós também queremos aqui no Explore Niterói, união pra fazer uma cidade e um cenário melhor pra todos.


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Author: Explore Niterói

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