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Entrevistamos a banda Kapitu

A gente sempre fala isso aqui no Explore: Niterói é um celeiro de novas bandas e artistas maravilhosos, palco pra todos os estilos. E pra nós é um prazer imenso construir uma rede junto com esses artistas, fortalecendo a cena independente que nasceu e cresce a cada dia na cidade.

A Cena Vive! Conheça mais sobre a banda Kapitu

Nosso colaborador Mateus Pereira bateu um papo com a banda de rock niteroiense Kapitu, os caras fazem 10 anos de carreira ano que vem e acabaram de lançar um novo single pesado e que dialoga muito com nossos conturbados dias atuais. Fora isso, temos nas próximas linhas muitas curiosidades e exclusividades da banda. Se você é fã de Yuri Corbal (guitarra e voz), Irlan Guimarães (baixo), Rafael Marcolino (bateria) e Eduardo Matos (guitarra) vai aproveitar muito tudo o que esses caras tem pra te contar. E se ainda não é, vai passar a ser!

Kapitu / Foto Divulgação por Juliana Ramos

Explore Niterói: O que mudou da Kapitu de 2008, ano de fundação da banda, até hoje?

Rafael Marcolino: É legal que a gente tem conversado sobre isso, já que ano que vem fazemos 10 anos de banda. É interessante perceber que algumas coisas mudaram pra melhor e outras se mantiveram. Por exemplo, o objetivo da banda desde o primeiro ensaio foi fazer música autoral. A gente começou compondo, gravando, só fomos fazer show depois de um ano já começada a banda. Percebo que um dos motivos para ainda estarmos em atividade, é essa continuidade do trabalho. Muitas bandas esbarrar em momentos de tentar mudar a proposta e acabam quebrando um pouco essa continuidade. A proposta da Kapitu sempre foi a mesma, sempre trabalhamos da mesma forma.

Outro ponto que eu percebo que é fundamental para o trabalho ter durado esse tempo todo, foi a convivência de amigos que nós temos enquanto banda. Não virou meramente burocrático ou só profissional, nós sempre fomos amigos e até hoje vamos nas casas uns dos outros, convivemos com as famílias e isso também faz toda a diferença pra manutenção do trabalho. Sobre a parte técnica, é claro que a gente procura estar sempre evoluindo. Percebemos pelos feedbacks, que temos conseguido isso. Você escuta o segundo disco da banda e compara com o primeiro já é outra coisa, uma evolução daquilo.

A gente nunca parou de trabalhar, nunca ficamos 2 semanas sem ensaiar. (Rafael Marcolino)

Yuri Corbal: Muitas bandas que começaram junto com a gente, até um pouco antes, já não trabalham tanto como já trabalharam em outros momentos. Mas isso talvez seja uma das coisas mais importantes pra gente se manter trabalhando, não só a gente acreditar no que estamos fazendo, mas também ter esse laço de amizade. De nos entendermos, estarmos sempre acreditando na parada, pensando coisas novas.

Irlan Guimarães: Bem ou mal a gente sempre teve uma evolução constante, cada passo a gente vai subindo um degrau de cada vez. Conseguimos assim ir atingindo números maiores de pessoas. É muito interessante também que nesses 10 anos as mídias sociais e o mundo virtual evoluíram de uma forma abrupta. 10 anos atrás não tínhamos o Spotify, YouTube era praticamente inexistente, então fomos pegando a evolução de todas essas formas de se divulgar e nos adaptamos muito bem com a internet.

Rafael: A gente nunca parou de trabalhar, nunca ficamos 2 semanas sem ensaiar. Mas eu lembro que teve uma época que foi a única vez que a gente deu uma desanimada, muito próximo ao trabalho do primeiro disco. Porque o Utopia foi lançado em 2013 mas a gravação dele foi em 2009/2010. Então demoramos esses três anos para lançar. Isso foi porque nessa época foi um espaço muito estranho do mercado fonográfico. As gravadoras estavam quebrando, ninguém estava lançando nada, ainda não existia a facilidade de colocar o trabalho na internet. O formato das redes sociais não era esse de se conseguir alcançar tanta gente ao mesmo tempo.

Nessa época a gente não tinha a mentalidade de como fazer um disco autoral nosso, prensar e distribuir de forma independente. Ficávamos esperando uma gravadora pra fazer isso. Só três anos depois percebemos que se nós não fizéssemos por conta própria, ninguém iria fazer. A partir desse primeiro baque e de conseguir lançar o Utopia, a banda deu um gás.

clique no banner para ouvir o disco Utopia
O início da irmandade

Explore Niterói: Qual foi a importância de movimentos e cenas pra unir as bandas independentes, como exemplo a cena vive, na carreira da Kapitu?

Rafael: A cena vive é um movimento mais recente. Mas cena rock sempre existiu, porque sempre existiu muita banda, isso é um fato. Daí uma coisa que foi óbvia pra gente desde o começo é que não adianta fazer nada sozinho. Com isso, a maioria dos shows que a gente fez até hoje foi com 3, 5, 10 bandas tocando na mesma noite, isso sempre rolou.

Muita gente hoje é amigo nosso porque conhecemos em shows tocando junto. Niterói antes tinha muito mais evento que abria pra essas galeras, hoje em dia é mais difícil. No início da banda a gente tocou muito na Box 35, Dragon Jack, o próprio Convés que existe até hoje. Só que de um tempo pra cá a galera começou a ser mais inteligente quanto a isso: “a gente tem que realmente unir forçar pra fazer dar certo”. Acho que antigamente era algo mais passivo.

A história da Cena Vive foi muito legal porque a galera começou a fazer um movimento de tentar mapear e achar todas as bandas que estão trabalhando e tentar fortalecer mesmo a cena. Isso foi interessante porque o público no Rio de Janeiro começou a ir nos eventos mesmo sem conhecer nenhuma das bandas, que é tudo que todo mundo sempre quis. A cena então fez uma coisa maravilhosa que foi construir um público bom e forte para uma cena independente, independente da banda que estivesse ali tocando. O que foi muito bom pra muita gente.

Acredito que a questão de uma cena é isso, dos artistas e do público terem consciência de que uma banda depende mesmo da outra. Que se alguma sobe, carrega as outras de alguma forma. Em diversos gêneros como o rap, o pagode e outros, essa pegada de um ajudar o outro já existia, isso no rock é algo atrasado. Sem falar que as coisas só acontecem a longo prazo, isso foi algo que aprendemos muito também.

A própria Cena Vive na época passou por um problema que foi de bandas acharem que aquelas que levantavam a bandeira da Cena serem vistas como se fossem uma panelinha. Então tinha gente que não queria usar esse nome, usar a #acenavive porque “os caras fazem os eventos deles e não me chama para tocar, a cena vive pra quem?”. Só que o grande ponto é que essa galera estava criando um movimento, querendo mostrar que independente daquele grupo de bandas ali é importante a consciência de que todo mundo faz parte da cena.

Kapitu na Fundição Progresso Jun 2017 / Foto Vinicius Giffoni
Colaborar para crescer

Explore Niterói: Como enxergam o rock no Brasil e principalmente em Niterói?

Yuri: Eu acho que o Rock tá um pouco atrás em relação a juntar com outros (artistas) que estão crescendo. A galera que já é consagrada você não vê, com certa frequência, dando espaço para novas bandas ou bandas independentes fazerem abertura de shows dos caras, muito menos viajando junto. Aqui no Rio a gente ficou meio isolado, até de grandes festivais que ficam muito pro Nordeste, pra São Paulo e que acontecem com mais fluidez.

Então a conscientização que a gente tem que ter é que tem que existir uma cena que esteja realmente unida e trabalhando junto, isso é muito importante. Até porque renovar é sempre bom pra todo mundo, até quem tá em cima.

Rafael: Acho que os próprios músicos do Rock criam barreiras nas cabeças deles. Acho que muito por inércia também, eles não tem a visão de que reciclando a cena pode até trazer mais público para eles.

Yuri: Outra coisa também é que a galera do Rock é muito preconceituosa. Dizem “não vou me misturar”. Um exemplo muito bom agora foi uma música que saiu do Oriente com o Criolo, esse mesmo que fez a turnê do Nívea cantando Tim Maia com Ivete Sangalo. Não to dizendo que a gente tem que chegar e gravar com qualquer gênero, mas tem muita coisa que pode e deve ser feita, em termos de colaboração, que a galera do Rock tá muito atrás.

Focando em Niterói agora, aqui a cena tem se renovado, tem molecada nova fazendo coisa boa, mas não necessariamente de pessoas novas, mas de bandas novas, como a Gragoatá, por exemplo. Nesse sentido, nós sempre queremos estar participando disso, tentar agregar para eles.

clique no banner para ler nossa entrevista com a banda Gragoatá / foto: Bárbara Medeiros

Rafael: Também é muito bom ver que essas bandas mais novas tem a gente como referência. Que a galera da Vulppe procurou o Yuri para produzir o disco. Eu to gravando uma galera nova também dentro do meu estúdio, era um aluno meu de bateria que todos os três são fãs da Kapitu. A gente se esforça para fazer as coisas acontecerem, para essa galera nova crescer. Para nós, perceber que eles têm referência no nosso trabalho é algo maravilhoso. Por que não aproveitar isso e passar para eles nossos conhecimentos de outras formas, sabe?

Irlan: São 10 anos que a gente tem junto e muitas das vezes tomamos na cabeça, então se pudermos passar um pouco desse know-how que a gente tem já vai ajudá-los muito. O legal da música também é a questão do tempo, porque se você compara com o jogador de futebol, por exemplo, o cara aos 30 anos tá parando, os músicos ao 30 anos estão chegando ou já estão no auge.

Mateus Pereira com Kapitu

Ta curtindo a entrevista? Quarta sai a segunda parte desse bate papo maravilhoso com os meninos da banda Kapitu aqui no site. Não perde, hein! Chama todo mundo pra ler!

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Author: Explore Niterói

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