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Equipamentos urbanos ou retalhos na cidade?

*Por Diego Ramos

A arquitetura e o urbanismo têm grande repercussão e relevância política. Visto que o próprio símbolo da Prefeitura da Cidade de Niterói é o MAC (Museu de Artes Contemporânea) e por vezes o Teatro Popular Oscar Niemeyer, ambas edificações projetadas especialmente como presente para a cidade pelo renomado arquiteto brasileiro, internacionalmente reconhecido, Oscar Niemeyer.

Um apoio vertical e o museu surge espontâneo como uma flor – Oscar Niemeyer

Em um breve olhar sobre a história da formação das cidades do mundo, vemos que a importância da arquitetura e do urbanismo, efetivamente, só foi descoberta pelas técnicas de governo no séc.XVIII. Isso reflete sobre a organização do espaço das cidades, os serviços coletivos, a higiene e a construção de prédios. Recorrem em seguida aos modelos e tipos arquitetônicos responsáveis por materializar suas pretensões. Seja   por   iniciativa   pública   ou   privada,  a configuração global do espaço sempre resulta da ação do governo. Os espaços urbanos   e   arquitetônicos   no   Brasil   estão   sendo   gerados   sobre   representações artificiais   separadas:   representações   simbólicas   e   representações   materiais.

Antes baseadas nas ordens do divino, as cidades e o urbano começam a serem pensados para se ajustarem à imagem que se quer transmitir para o mundo e a sociedade. Passa-se a ver a arquitetura como uma forma de vender um estilo de vida urbano. Nas cidades jamais serão encontradas distinções rígidas entre análise e síntese, entre usos e trocas, sejam materiais ou simbólicas.

Instalação “Progressão”, do artista Felippe Moraes / foto: Divulgação – MAC

As primeiras cidades no Brasil foram criadas pela atividade aqui desenvolvida  na  época,   que   tinha   destinação   para   a   exportação, o que favoreceu a localização das mesmas ao longo do litoral. Justificando a ocupação inicial das bordas da Baía de Guanabara (Centro, Ponta d’Areia, Icaraí, São Francisco, Jurujuba, etc). Há um questionamento sobre essa espontaneidade do surgimento dessas cidades, já que os   portugueses   trouxeram   consigo   determinadas   regras:   regulava-se   a   boa disposição espacial, o abastecimento e a defesa das cidades.

O governo brasileiro,  sempre  enfrentou dificuldades  de gestão devido a ambiguidade da sociedade. Santos afirma que o lugar onde está cada pessoa no mundo é percebido como o lugar da vida e é o símbolo daquele tipo de vida que a situa em relação a outras possibilidades. Apresenta a essência social do espaço.

Ambos os edifícios citados têm forte representação iconográficas, um desenhado enquanto uma flor entregue a cidade, e plantada no alto de um pequeno monte no final da Praia de Icaraí, o MAC ainda em construção, logo ficou conhecido como “Disco Voador” que pousou na cidade, trazendo ares da modernidade e evolução estética da cidade, que a partir daquele momento passaria a olhar cada vez mais para si, conforme o próprio interior do museu previa, onde a maior exposição era exatamente o enquadramento da paisagem natural de Niterói em suas janelas de 360º. Com Teatro Popular, que dialogava com as formas do Pão de Açúcar, na curva sinuosa da paisagem e da mulher, pretendia-se reabitar e valorizar a área central da cidade, trazendo atrativos pontuais de cultura e de relevância para a cidade, repaginando e vestindo de forma moderna as ruas antigas do centro.

Teatro Popular Oscar Niemeyer / Foto: Red Werneck

Estamos no caminho certo? Deixe sua opinião sobre as transformações de nossa cidade.


*Diego Marques dos Santos Ramos, Arquiteto, Urbanista e Paisagista formado pela FAU – UFRJ, mestre em urbanismo pelo PROURB – UFRJ e doutorando também de urbanismo do PPGAU – UFF.

Nascido e criado em Niterói, original do amor de Paulo Ramos e Rose Marques, direto da barriga da mamãe para o hospital São Lucas, 28 anos atrás, tendo crescido em Santa Rosa e posteriormente Itaipu, morando ainda um ano em Santiago do Chile e na pequena cidade de Buin, justamente no ano do 5º maior terremoto da História do Planeta, como estudante intercambista de arquitetura, urbanismo e cinema na Universidad de Chile.

Escorpiano, noivo, ator e diretor profissional e professor teatral. Fundador da Cia JUKAH de Teatro, original do La Salle Abel em 2007 e berço de oportunidades artísticas a interessados em vivenciar as Artes Cênicas.

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