Crônicas

Mãos a Terra (por Vicente Cantini)

Acervo pessoal da cronista Ana Letícia Cantini – Local das fotos: Sítio Carvalho

“_Uma senhora me perguntou se tinha Babosa (Aloe vera), pois precisava muito fazer uma compressa para aliviar seu reumatismo. E acrescentou: _É tiro e queda moço! A dor melhora que é uma beleza!”

Esse é um dos testemunhos que Edson Folly, carioca do Rio Comprido, 60 anos, 13 dos quais dedicados ao trabalho no Sítio Carvalho no Sapê, recebeu atendendo clientes que por lá passam diariamente procurando por ervas, temperos e hortaliças.

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Edson Folly em frente à bancada de ervas, temperos e hortaliças.

_É cada vez maior o interesse das pessoas em ter em sua casa ou apartamento uma hortinha caseira tanto para fins medicinais quanto para a culinária e até mesmo para atrair bons fluídos, afastar mal olhado e olho grande. É um retorno saudável aos costumes de nossos antepassados. Como a procura aumentou, criamos um espaço próprio com uma bancada onde estão expostas mais de 40 espécies, diz sorrindo Edson.

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Acervo pessoal da cronista Ana Letícia Cantini

Jorge Carvalho, 57 anos, nascido e criado no Sítio, hoje circundado pela Comunidade Fazendinha do Sapê, está comemorando bodas de prata de seu empreendimento. Seus olhos brilham quando fala sobre a história local e tem planos de deixar registrado um legado de conhecimento sobre agricultura urbana para as gerações futuras daquela comunidade.

_Planejo escrever um livro em parceria com os idosos da Fazendinha do Sapê ensinando as boas práticas de suas experiências no cultivo de subsistência doméstica. Recebemos visitação de crianças de escolas de Niterói no Sítio e fazemos com elas uma primeira iniciação sobre a importância de uma horta caseira, exclama Jorge com seu peculiar senso de responsabilidade social.

Não é a toa que vivenciamos um novo momento do consumo de orgânicos com compras coletivas via redes sociais, entrega de cestas em casa e preços mais palatáveis. Esse tempo de plantio e de colheita é o retorno ao caminho da roça.

Essa mudança de hábitos da troca do consumo nas gondolas dos hortifrútis por um plantio doméstico vem ao encontro de uma saudável combinação de economia financeira das famílias dos centros urbanos em tempos de crise com o bem estar, terapia ocupacional e garantia de qualidade proporcionados por um cultivo sustentável de ervas, temperos e hortaliças.

Pero Vaz de Caminha tinha razão. “aqui, nesta terra, em se plantando, tudo dá”… Então, mãos à terra!

Vicente Luiz Cantini é engenheiro químico pós­-graduado em Gestão Ambiental pela Coppe UFRJ, ex-Presidente da Fundação Parque e Jardins da Cidade do Rio de Janeiro (1999/2000), consultor em Sustentabilidade, cliente do Sítio Carvalho e pai da cronista Ana Leticia Cantini.

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Acervo pessoal da cronista Ana Letícia Cantini

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