Crônicas, Niteroiensis

Niterói do bem – a história de Apparecida, uma voluntária na/da luta contra o câncer

Barreto, sala de estar de Apparecida.

“Apê pê arecida, isso mesmo, com dois p’s” – ela me corrigiu. “Sou conhecida como ‘Niterói’ pelo padre da igreja de São Camilo, na Usina.”

Fotografia da colunista

Daqui a um mês, mais ou menos, no dia 20 de Setembro, a professora Apparecida completa 81 anos de vida. Esta é uma data de muita alegria, não só por poder comemorar o seu dom de viver, as suas vitórias – ela foi diagnosticada aos 20 anos com câncer e, após ser internada, só aos 40 anos, passou por 30 cirurgias; mas também, porque é no seu aniversário  que ela recebe doações, as quais abarrotam seu armário, sua despensa e um novo espaço que construiu só pra isso. Ela direciona parte das arrecadações à Toca de Assis e grande parte ao Inca, hospital em que trabalhou como voluntária por mais de 20 anos.

Apparecida foi a primeira voluntária do hospital, foi contando que sua ideia surgiu no dia em que foi transferida para perto da ala pediátrica.  Em noites consecutivas, ouvindo o choro das crianças fazendo coro com o de suas mães, ela pensou em arrumar alguma distração, um divertimento para os pequenos, já que não havia. Resolveu perguntar se não podiam comprar uma televisão para que assistissem a desenhos e pediu um empréstimo à Caixa Econômica a fim de conseguir uma geladeira para a Pediatria. Conhecendo seu propósito cheio de amor em amenizar o sofrimento das crianças e dar-lhes uma alegria, o gerente do banco, à época, resolveu doar televisões para a ala.

Com um otimismo verdadeiro, uma fé inabalável e linda de ver, ela continuou seu trabalho acreditando naquilo que Madre Teresa viveu e disse, parafraseando: “que por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar, mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota”.

Apparecida é uma santa em vida, construiu amizades pegando carona, amizades que trouxeram novas perspectivas (festas, shows com celebridades como  Xuxa e Padre Marcelo Rossi), voluntários (mais colaboração) e Amor (presença, carinho e doação) aos pacientes do Inca.

Acervo pessoal
Acervo pessoal de Apparecida (Tony Ramos e ela numa festa no hospital)

Hoje não pode mais ficar se deslocando, o câncer persiste, a idade avança, porém a fé sustenta e traz a verdadeira alegria,  permanecem as comemorações (ela ama festejar!), principalmente no dia do seu aniversário (quem quiser ajudar, pode entrar em contato com o Explore Niterói que intermediamos, ela acredita que o amor nunca é demais, sempre há espaço pra mais um.)

Um incentivo para nós, a metáfora da amorosidade, uma inspiração para “amorizar (neologismo para ‘colocar amor em’)” nossa conduta como humanidade que somos: dependentes uns dos outros, partes de um todo que se constrói por meio do nosso relacionamento.

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