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Nós vimos: Mogli – Filho da Lua

No último fim de semana (7 e 8/05), estreou o espetáculo Mogli, Filho da Lua, uma montagem da Companhia JUKAH de Teatro e a nossa equipe foi conferir.

22 atores e 4 músicos no palco. Composições exclusivas para o espetáculo cantadas ao vivo (e no gogó, já que o sistema de som do teatro deu uma pernada na estreia). Um cenário incrível, pensado, desenhado e construído pela companhia, em conjunto. O mesmo para o figurino detalhadíssimo. Iluminação impecável. Assim é o espetáculo Mogli – Filho da Lua, dirigido por Diego Ramos em montagem da Cia JUKAH de Teatro, em cartaz até o próximo dia 15/05, no Teatro Popular Oscar Niemeyer.

O espetáculo é a tradução de um trabalho contínuo e constante de formação de atores, feito pela Companhia, fundada quando Diego ainda era aluno do Instituto Abel.

foto: Red Werneck
foto: Red Werneck

Conversamos com Lucas Carvalho, compositor das canções do musical, e Diego Ramos, diretor da companhia (e intérprete do vilão Shere Khan).

O músico niteroiense Lucas Carvalho contou um pouco como foi a experiência de compor as canções que fazem parte da releitura do clássico que conta a história do menino criado por lobos, que passa a ser visto como uma ameaça ao equilíbrio da floresta e é enviado para viver na aldeia de homens.

Lucas é músico e já havia composto canções anteriormente, mas foi a primeira vez que escreveu para uma peça de teatro. “Foi uma experiência diferente. o Diego [Ramos, diretor da companhia] me propôs a ideia tipo “ah tenta aí”. Numa noite, sem querer, fazendo uma base, estudando violão, saiu a primeira, que foi Filho da Lua. Mostrei pro Diego e ele falou “cara, você tem que compor todas as músicas. Ficou muito bom, tipo Disney!” Ele queria uma só, mas depois falou que eu tinha que compor todas e eu fui tentar. Aí no dia seguinte eu fiz mais duas e depois outras duas.  Música sempre esteve presente na minha vida e agora juntou a música com teatro. Compor  pra uma peça foi um desafio maneiro, pretendo compor pras outras.”

foto: Fernanda Torres Fotografia
foto: Fernanda Torres Fotografia

As composições para Mogli não foram o primeiro contato de Lucas com o Teatro. Ele já integrou a Companhia JUKAH e diz que isso foi determinante na sua vida. “Conheci o teatro através deles e conheci eles através do teatro. Fui a primeira vez no Teatro Abel ver uma peça deles, Descarrilhados. Me amarrei, falei “quero ser ator”. Depois me chamaram pra fazer um figurante em Anastasia (que entra em cartaz no Fashion Mall no próximo dia 21). Era pra eu ser um morcego, mas um dos protagonistas saiu da peça e o Diego [Ramos] perguntou se eu queria fazer. Porque eu sou cantor e é um musical. Decidi tentar. Em dois meses eu tive que decorar texto e as músicas. Aí me apaixonei por teatro.”

+ Veja o musical Anastasia no Teatro Fashion Mall

Um presente pra quem esteve na estreia foi ouvir Lucas cantar suas composições junto com o elenco. Ele já tinha subido ao palco do teatro popular em Alice, com a Companhia JUKAH, mas atuando e diz que voltar no palco cantando composições suas para a peça foi uma sensação incrível. “Eu me arrepiei do começo ao fim por tocar com uma banda num palco de um teatro mega conhecido… Na música a gente não tem tanta oportunidade, aí juntou a música com o teatro e foi uma oportunidade incrível e eu nunca vou esquecer a primeira vez que eu pisei na minha casa, Niterói é a minha casa, e eu pisei aqui pra mostrar minha música. Foi muito bom.”

foto: Fernanda Torres Fotografia
foto: Fernanda Torres Fotografia

+ Conheça todas as músicas cantadas no espetáculo

Batemos um papo com o ator niteroiense Diego Ramos, diretor e fundador da JUKAH sobre o espetáculo e o trabalho da Companhia.

“Tinha vontade muito grade de fazer teatro, mas não tinha dinheiro e comecei a procurar companhias que não fossem pagas, em que você pudesse participar e aprender a fazer teatro sem ter que pagar uma aula pra isso, porque eu não tinha dinheiro. Não encontrei essa companhia. Estudava no [Instituto] Abel na época, conversei com a direção e a gente conseguiu, com apoio deles, montar um grupo de teatro no qual unimos pessoas que queriam fazer teatro e não tinham possibilidade com pessoas que conheciam alguma coisa de teatro e poderiam ensinar. E aí a gente começou o grupo, como um trabalho social voluntário pra formação de atores, pra dar oportunidade a pessoas que não tinham oportunidade pra fazer teatro.

Aos poucos o grupo foi se fortalecendo, muita gente acabou se profissionalizando dentro da área de teatro e aí a gente manteve essa filosofia de trabalhar como voluntário, a princípio, pra formar atores e isso ainda acontece até hoje. Até com o próprio Mogli pequeno [Pedro Pimenta], que a gente conheceu no ônibus e ele contou, conversando com todo mundo, que queria fazer teatro e não tinha oportunidade e a gente chamou pra companhia. A maioria da galera de Mogli é assim. São pessoas que moram lá em Jurujuba e não tinham acesso ao teatro, nunca tinham ido ao teatro. A gente fez peça lá, eles conheceram e a gente estabeleceu essa relação. Então surgiu como um meio de encurtar o caminho e facilitar a vida de pessoas que acreditavam na arte como uma forma de vencer na vida, mas que não tinham as portas abertas. E aí a escola ajudou bastante nesse sentido, de abrir as portas num primeiro momento, depois o grupo começou a caminhar sozinho, aí como uma companhia profissional de teatro e o projeto se desenvolveu um pouco mais.”

foto: Fernanda Torres Fotografia
foto: Fernanda Torres Fotografia

Perguntado sobre como era pra ele se apresentar nos grandes teatros de Niterói (além do Teatro Popular, a Companhia já se apresentou no Teatro Abel e no Teatro Eduardo Kraichete), Diego respondeu: “É uma doideira porque a gente não imagina, ne. Óbvio que a gente sonha quando é pequeno, quando tá lá querendo fazer teatro e não tem oportunidade, a gente sonha em chegar nos teatros em que a gente ia assistir a alguma peça, que ganhava cortesia e tal. Não consigo dizer como eu me sinto hoje porque foi um caminho muito grande, muito difícil. A gente foi, aos poucos, conquistando as coisas, então parece meio que natural pra mim. Passo a passo,com muito trabalho, muita dedicação, muita gente que acredita no projeto envolvida, a gente foi chegando nos lugares que a gente sonha e ainda tem muito lugar que a gente sonha chegar e as portas ainda não se abriram, mas a gente ta trabalhando pra isso. Eu acho que é um sonho e a gente ta tornando realidade. A cada dia a gente coloca metas, a cada projeto a gente diz aonde quer chegar com aquilo. Eu acho que isso facilita… você sonhar, mas sabendo o que você quer.”

foto: Fernanda Torres Fotografia
foto: Fernanda Torres Fotografia

Outro fator interessantíssimo e que merece destaque no trabalho da Companhia é a preocupação com a formação de público. Eles fazem teatro infantil pra transmitir valores e ensinamentos às crianças, mas, além disso, oferecem ingressos a preços populares através de uma lista amiga. “Quando a gente começou a fazer teatro, a gente ganhava o [uso do] teatro de graça, como uma ação social do próprio teatro e fazia uma permuta. Eles davam isso em troca de auxílios do governo e tal, coisas que a gente na época não entendia, e a gente não cobrava o ingresso da peça, a gente cobrava 1kg de alimento ou brinquedos ou alguma coisa pra doação, já que o nosso trabalho era voluntário. A nossa relação com pessoas que nunca tinham ido ao teatro, que nunca tinham tido a oportunidade de ir ao teatro por ser muito caro sempre foi muito importante. Era um pouco da nossa história também, de não ter oportunidade de ir ao teatro. Então quando a gente começou a ter que necessariamente, gerar uma renda pro teatro e pagar bilheteria, etc a gente decidiu que precisava achar um meio de fazer grandes espetáculos pra que pessoas que não tem a oportunidade de ir a esses grandes espetáculos possam ir a preços populares. Fomos pesquisando junto às produções dos teatros o que podia ser feito e surgiu essa
ideia destemida de lista amiga, que acho que não sabiam que ia fazer tanto sucesso, e que lotava os teatros. A lista era interminável e fazia filas e filas, as pessoas ficavam apaixonadas, pessoas que nunca tinham ido e levavam família, enfim, de todas as classes sociais e aí a gente conseguiu implementar isso nos teatros. Tem muitas outras produções que já faziam e fazem isso, mas é uma felicidade muito grande desse grupo conseguir manter esse projeto, mesmo, pra maior quantidade de pessoas possível ver teatro, porque muda a vida das pessoas, com certeza.” Conta Diego.

foto: Red Werneck
foto: Red Werneck

Ao final da nossa conversa, Diego deu uma aula sobre acreditar em sonhos e transformar vidas.

“O mais importante pra gente é isso, o teatro a gente encarou como a grande obra social que a gente pode levar pra nossa vida. Se ele pôde mudar tanto a nossa vida em termos de ensinamento, que a maior quantidade de pessoas possa, através da magia do teatro, entender que as decisões são tomadas todos os dias e que elas só precisam da ajuda de alguém que olhe por elas e elas acredite nos sonhos delas.

A gente gosta muito de Niterói, todo mundo é apaixonado por essa cidade e tudo que a gente puder fazer pra movimentar essa cidade em termos de cultura e pra ajudar o próximo, sem dúvida, a gente vai fazer sem pensar no dinheiro. vai ser a última coisa, com certeza. Primeiro o amor à cidade e às pessoas.”

foto: Fernanda Torres Fotografia
foto: Fernanda Torres Fotografia

Aprendemos muitas lições, com o espetáculo e com esse breve bate papo com o Diego Ramos. Saímos do teatro acreditando mais ainda nos nossos sonhos e no nosso amor por Niterói. Por isso, recomendamos mais ainda o trabalho da Companhia JUKAH de Teatro. Não deixem de prestigiar esses jovens tão sedentos de mudar o mundo através da Arte.

Serviço:

Local: Teatro Popular Oscar Niemeyer
Data: 07 de maio a 15 de maio de 2016
Hora: 16h
Classificação Indicativa: LIVRE
+ Lista amiga somente na bilheteria do Teatro
VENDAS:

Author: Explore Niterói

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