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O que há de Niterói em você?

O que há de Niterói em você?

Por Lucas Monteiro e Jean Viana*

Em que momento podemos dizer que pertencemos a determinado lugar e que ele meio que define nosso jeito de ser? Você apenas mora ou trabalha em uma cidade, se deixa ser mais um número na estatística do IBGE… ou você vive essa cidade? Você conhece a história dessa cidade? Conhece as particularidades dos bairros que a compõem? Qual é a sua relação com essa cidade?

Fonte: Google Imagens

Feitas as perguntas, convidamos você leitor morador de Niterói, ou não, e que também se sente parte dessa cidade, a embarcar na nossa reflexão: o que há de Niterói em você? E nada impede também você, que não conhece a cidade, de querer conhecê-la — quem sabe você não venha visitar nossa cidade depois da leitura deste texto?

Não acreditamos que para criarmos afeto e relação de pertencimento com um lugar, necessariamente devemos ser moradores nativos daquele lugar. A identificação pode ocorrer de diferentes maneiras. Moradores de cidades próximas a Niterói como Maricá, Itaboraí, São Gonçalo, Rio de Janeiro, entre outras, que se deslocam a trabalho ou estudo todos os dias, também podem ter a sensação de pertencimento e identificação com as coisas que acontecem por aqui. Assim como muitos jovens do Brasil inteiro que vêm a estudo e que são abraçados por Niterói.

Uma coisa que constatamos devido a um longo período de observação é que o cidadão niteroiense abre logo um sorriso quando ele diz que é de Niterói e, em seguida, as pessoas perguntam: “Niterói, aquela cidade que tem aquele museu do Niemeyer?”. É gratificante para o niteroiense saber que sua cidade é lembrada pela construção futurista projetada por Oscar Niemeyer — e que a cidade tem essa obra como símbolo. O niteroiense carrega consigo o orgulho da cidade que Niemeyer escolheu para que uma de suas obras arquitetônicas mais impressionantes fosse construída. Niterói deixou de ser a cidade que tinha ‘apenas uma bela vista para o Rio de Janeiro’ para ser ‘a cidade sorriso’, ‘a cidade do museu do Niemeyer’ (há quem chame de disco-voador do Niemeyer também, mas isso é outra história). A cidade ganhou uma cara nova, um ícone que fez o morador se sentir mais orgulhoso da cidade — e que fez com que pessoas de outras cidades olhassem para Niterói com carinho, curiosidade e respeito.

Foto: Lucas Monteiro

É inegável a identificação do niteroiense pelo MAC, símbolo da cidade. É difícil para pessoas que nasceram depois da década de 1990 imaginarem Niterói sem o MAC. Sabemos os motivos que fizeram o MAC ter sido construído no mirante da Boa Viagem? Sua história, curiosidades sobre sua arquitetura, as obras de artes que lá estão expostas? Acreditamos que grande parte dos niteroienses que se orgulham tanto desse monumento, e que costumam caminhar e passear aos finais de semana pela orla da de Icaraí até à Boa Viagem, não saberiam responder a essas perguntas.

Foto: Lucas Monteiro

Falaríamos até mais um pouco sobre as histórias da construção do museu, mas a nossa proposta é, além de fazer você refletir junto com a gente sobre o que há de Niterói em você, é também te instigar e te provocar a explorar e descobrir a cidade. Vale lembrar que a entrada é gratuita para os moradores de Niterói (mediante apresentação de comprovante de residência), então sem desculpas. Pegue aquele tempo realmente livre no teu fim de semana, dê um pulinho descompromissado ao MAC, tire fotos, selfies e, se te der vontade, entre no museu e descubra mais sobre esse equipamento que é por si só uma obra de arte: explore.

Curiosidades

Apesar de o MAC fazer parte da identidade de Niterói, muitos não se lembram, ou realmente não sabem qual foi o primeiro símbolo da cidade. O símbolo em questão estampa a bandeira do município: a Pedra de Itapuca. Falaremos um pouco sobre ela.

Escudo da bandeira de Niterói / Fonte: Google Imagens

A Pedra de Itapuca fica entre as praias de Icaraí e das Flechas e pode ser vista de diversos pontos da Boa Viagem, do Ingá e de Icaraí. Em dias com águas mais agitadas, suas imediações transformam-se em um ponto muito frequentado por praticantes de surfe.

Pedra de Itapuca / Foto: Lucas Monteiro

 

Surfe – Pedra de Itapuca / Foto: Lucas Monteiro

Sua formação rochosa é muito peculiar e imponente, mas sabemos por que ela está na nossa bandeira? Certeza que é importante. Mas não é tão simples definir aqui informações exatas, lendas e histórias sobre a Pedra de Itapuca, mas temos uma imagem interessante para apresentar:

Pintura da formação rochosa original da Pedra de Itapuca antes do recorte. Autoria: Antônio Parreiras, 1891. (possivelmente) / Fonte: http://www.catalogodasartes.com.br

Essa pintura datada de 1891, é possivelmente do artista Antônio Diogo da Silva Parreiras (1860-1937), um dos maiores e mais importantes pintores brasileiros do período imperial (final século XIX) até o início do estabelecimento da República (primórdios do século XX). Um detalhe: ele era niteroiense! Outro detalhe: existe um museu em Niterói chamado Antônio Parreiras, no bairro do Ingá (infelizmente encontra-se fechado para restauração no momento).

Fachada Museu Antônio Parreiras / Foto: Lucas Monteiro

Por mais que tentemos instigar você leitor a explorar mais a cidade e descobrir mais as coisas, vai mais uma dica: muitas obras de Antônio Parreiras fazem parte do acervo do Museu do Ingá. E se você quiser saber um pouco mais sobre a história da sua cidade, o Museu do Ingá pode ser o lugar ideal.

Para instigar seu instinto de explorador, falaremos um pouco sobre o Museu do Ingá (talvez você se interesse em visitá-lo após a leitura). O museu foi sede do governo do Estado do Rio de Janeiro entre 1903 e 1975 e foi também importante palco da história política do país. Hoje abriga cerca de quase 4 mil obras de arte como, por exemplo, pinturas de Anita Malfatti (1889-1964), Di Cavalcanti (1897-1976), Cândido Portinari (1903-1962), além de peças expostas que contam um pouco da história do prédio. O museu do Ingá fica a menos de 600 metros do MAC, o que leva mais ou menos 10 minutos de caminhada. Se você se interessou, vai aqui uma informação: o Museu do Ingá possui entrada gratuita para qualquer visitante, e sua página no Facebook é frequentemente atualizada com todas as informações de exposições, horários de funcionamento e eventos no museu. Se você quiser saber mais sobre a fundação da cidade, o Museu do Ingá pode ser uma boa opção, vale a visita.

Falamos muito em símbolos, monumentos e locais históricos que geram identificação com a cidade. São diferentes elementos que fazem nos sentirmos parte de Niterói, seja você niteroiense ou não. Falamos aqui do MAC, da Pedra de Itapuca, dos museus do Ingá, contamos também uma pequena parte da história de Niterói. E voltamos à pergunta inicial: o que há de Niterói em você, nobre leitor?

Você é do tipo de pessoa que entende perfeitamente sobre qual salgado alguém está falando quando ouve uma falar italiano e a outra chamar o mesmo salgado de joelho? É do tipo de pessoa que acha normal (ou não estranha) ouvir alguém dizendo que vai na casa de Fulano ao invés de ir na casa do Fulano? Não consegue entender como a praia de Itacoatiara não tem um destaque forte no cenário turístico internacional? Você é daqueles que torce todo ano pela Viradouro mesmo tendo uma outra escola de coração ou não gostando muito de Carnaval? Temos uma boa notícia: são esses elementos (dentre vários outros que poderíamos citar, mas ficaria um texto muito longo) que mostram que, mesmo que você não seja nascido e criado em Niterói, você carrega um pouco da Cidade Sorriso consigo, é isso o que tem de Niterói em você.

Seja você morador ou não da cidade, seja você uma pessoa que vai a Niterói apenas a trabalho e/ou a estudo; seja você um morador do Caramujo ou de São Francisco, do Barreto ou de Jurujuba; seja você uma pessoa que sente que Niterói é como uma segunda casa e, tal qual sua casa, você quer ver sempre limpa, bem cuidada e mostrar pros outros sempre o que há de melhor. Você que tem esse instinto de defender Niterói, sendo niteroiense ou não: Niterói está em você! Orgulhe-se disso.

Se você depois da leitura sentiu que faltou algo que o represente enquanto amante e defensor de Niterói e quiser contar pra gente o que mais há da cidade em você, ou discorda de algo que dissemos, não deixe de participar nos comentários, é muito importante pra gente. Vamos juntos descobrir o que há de Niterói em todos nós. Vamos explorar a cidade sorriso.

Praia de Icaraí / Foto: Lucas Monteiro

*Lucas Monteiro e Jean Viana são turismólogos, formados pela Universidade Federal Fluminense.

6 Comments on “O que há de Niterói em você?

  1. Niterói é uma cidade muito interessante. Tive o prazer de conhecer mais por ser estudante da UFF nos últimos anos e pude neste texto reconhecer os adoráveis lugares de Niterói. Assim como os autores, recomendo uma caminhada do MAC até Icaraí apreciando a paisagem do rio mas tb de Niterói. Percebi que tem bastante de Niterói em mim.
    Belo texto.

  2. Adorei o texto, mto bem escrito!C ótimas fotos! Niterói é sempre uma grata surpresa! Não deixem de falar também sobre as praias oceânicas .vlw!😙

  3. Niterói é uma cidade maravilhosa! E não pela vista do Rio não rs. Me peguei pensando nos museus que conheço por aqui e me toquei que mesmo passando várias vezes em frente ao museu do Ingá nunca entrei para visitá-lo. Nessa correria do dia a dia muitas vezes não paramos pra olhar ao redor e ver o que a cidade tem a oferecer. Instigou, museu do Ingá ta na lista de passeios agora!

    obs.: Essa pintura da pedra de Itapuca é uma viagem na transformação da cidade, se n estivesse escrito não diria se tratar do mesmo local.

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